Bike Salvador Vai de Bike - Prefeitura Municipal do Salvador Bicicletas são o caminho para a eficiência das cidades - Salvador Vai de Bike

O investimento em infraestrutura, associado a uma mudança cultural e a desoneração de impostos foram as principais propostas defendidas no II Fórum Salvador Vai de Bike, realizado hoje (5), pelos especialistas, empresários do segmento de bikes e representantes do poder público, para inserir a bicicleta definitivamente como modal de transporte na realidade das cidades brasileiras. Na abertura do evento, o prefeito ACM Neto anunciou, inclusive, duas iniciativas que, a curto e médio prazos, deverão transformar Salvador. A primeira, é a intenção de, até 2016, ter construídos 350 km de ciclovias e ciclofaixas na cidade. A outra é a implantação do Bike Salvador - um projeto inédito no país, que visa contribuir com a mobilidade e acessibilidade das comunidades por meio da bicicleta.

“As comunidades já estão em estudo e o banco Itaú já se colocou como parceiro”, adiantou o Secretário do Escritório de Projetos Especiais do Gabinete do Prefeito e Coordenador do Movimento Salvador Vai de Bike, Isaac Edington. A idéia do Bike Comunidade é oferecer a infraestrutura para que a bicicleta seja adotada como meio de transporte à escola e ao trabalho; como lazer; e à integração com outras formas de transporte. “A Prefeitura quer proporcionar que a bicicleta seja um modo diferenciado para conectar bairros, destinos e pessoas. E para que seja uma experiência bem sucedida é fundamental que o envolvimento da comunidade por meio dos moradores e empreendedores locais, que se comprometam com a gestão e a conservação do patrimônio público, pois tudo será gratuito”, esclarece o Secretário.

 

O Bike Comunidade é um projeto que está alinhado a realidade do tema. O diretor geral e fundador da organização Transporte  Ativo, José Lobo, um dos nomes nacionais em promoção do uso de modos de transporte de propulsão humana e membro do Grupo de Planejamento Cicloviário da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro desde 2003, explica  que o eficaz é a criação de um sistema cicloviário formado por redes de ciclovias que se conectam. “Não há como construir uma ciclovia extensa que permeie toda a cidade. No Rio, por exemplo, criamos uma malha cicloviária integrada para o centro da cidade, chamada ciclo rotas, envolvendo uma infraestrutura de ciclovias, ciclofaixas e vias compartilhadas”, revela.

 

Na sua abordagem, o presidente da Aliança Biker – Associação Brasileira do Setor de Bicicletas -, Marcelo Maciel, pontou que há 10 anos era considerada loucura ir ao trabalho de bike, no entanto, hoje, essa é uma realidade em cidades como Nova York, Bogotá, São Paulo, que seguiram o exemplo de Amsterdam.  Uma mudança de atitude que reflete no incremento do mercado de bikes. Terceiro maior fabricante mundial de bikes, o Brasil, apresenta um consumo médio de 4,5 milhões de unidades ao ano e produção nacional de cerca de 4,17 milhões de unidades em 2012. “Um mercado que poderia ser melhor se não tivéssemos os impostos que chegam a 70%”, observa Maciel.

As oportunidades deste mercado também foram o tema central da fala do empresário Tito Caloi – que iniciou sua vida profissional na fabricada família, a  Caloi, e atualmente tem a sua marca própria a Tito Bikes. Na sua apresentação, Tito instigou a platéia, ao mostrar que a bicicleta é um meio de transporte está saindo da invisibilidade porque agrega diversos públicos, de diferentes classes sociais. Uma solução de mobilidade para a contemporaneidade.

O último a se apresentar foi o vereador paulista José Police Neto que fez sua fala chamando a atenção para a necessidade de construção de uma cidade eficiente, o que só acontece, segundo ele, quando as bicicletas forem incorporadas a realidade cotidiana dos centros urbanos.

 

Na avaliação do Secretário do Escritório de Projetos Especiais do Gabinete do Prefeito e Coordenador do Movimento Salvador Vai de Bike, Isaac Edington, o II Fórum Salvador Vai de Bike teve um resultado positivo, uma vez que reuniu atores diferentes da cadeia do segmento de bicicletas. “Atingimos o objetivo, que era mostrar para o empresário que a bicicleta é um modal de baixo custo, ideal para deslocamentos de curta distância e que as pessoas precisam, apenas, ser incentivadas a usar, criando condições favoráveis no trabalho, inclusive. Se conseguirmos diminuir os impostos, desonerando esse meio de transporte mais pessoas terão acesso a ele, o que consequentemente nos ajudará na questão da mobilidade urbana”, avaliou.

Para os palestrantes, a iniciativa da Prefeitura do Salvador, de convocar a classe empresarial, inserindo-a nessa discussão, demonstra uma gestão alinhada as tendências mundiais. “No Rio estamos articulando o uso de bicicletas como modal de transporte há 20 anos, mas só agora a iniciativa privada começa a prestar a atenção, porque percebe que ali existe um mercado. Essa postura da Prefeitura de Salvador é extremamente ousada”, observou o especialista José Lobo.

Também estiveram presentes no evento a vice-prefeita Célia Sacramento; a superintendente de Assuntos Governamentais e Institucionais do Itaú, Luciana Nicola; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hoteis Seção Bahia (ABIH-BA), José Manolo Garrido; a presidente da Câmara de Diretores Lojistas de Salvador (CDL), Antoine Tawil; o presidente do Sistema Fecomércio-BA, Carlos Andrade; e o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem Seção Bahia (Abav-BA), José Alves Peixoto Júnior, e demais autoridades